Presença de onças-pintadas chama atenção após quase 20 aparições em áreas residenciais
Em diversos casos, cachorros acabaram atacados e mortos pelos felinos; especialistas orientam para os cuidados e evitar ataques
Considerado um dos biomas brasileiros mais conservados, o Pantanal de Mato Grosso do Sul mantém uma das maiores populações de onças-pintadas fora da região amazônica. No meio da natureza está o município de Corumbá (MS), localizado às margens do Rio Paraguai e que divide a zona urbana com a natureza. Por isso, os pouco mais de 96 mil habitantes estão precisando conviver com aparições cada vez mais frequentes dos felinos nas áreas residenciais. Os casos mais recentes ocorreram nos dias 20 e 21 de outubro, em diferentes pontos da cidade. (veja os vídeos abaixo)
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Câmera flagra onça-pintada invadindo quintal de casa em Corumbá
Um levantamento feito pelo Primeira Página mostra que, ao menos nos últimos 22 meses, cerca de 17 avistamentos foram registrados por moradores e especialistas da região. Na grande maioria dos casos houve ataques a cachorros, obrigando as autoridades a intervir na situação.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), o histórico de ocorrências envolvendo onças-pintadas e onças-pardas é monitorado há vários anos por órgãos e organizações locais.
“Embora um monitoramento sistemático não tenha sido realizado, os dados históricos demonstram que as ocorrências parecem estar relacionadas a eventos de cheia ou incêndios, quando os animais buscam abrigo e presas na área urbana, principalmente nas áreas residenciais mais próximas ao Rio Paraguai”, destacou o documento.
Apesar das aparições frequentes, não houve nenhum registro de ataques a seres humanos na região de Corumbá. Porém, no Pantanal de Aquidauana, também em Mato Grosso do Sul, um caseiro foi atacado e morto por um felino em maio de 2025. O caso foi tratado como elevado risco de reincidência, sendo necessária a captura do animal e destinação definitiva ao cativeiro.
“A ampla divulgação do incidente, infelizmente com muitas desinformações associadas, sensacionalismo e fatos irreais, também foi responsável por alterar a percepção e relação sobre a presença da onça-pintada”, frisou o IHP.
Convivência em harmonia
Por isso, a educação ambiental é considerada uma ferramenta essencial para a construção de uma cultura de respeito e convivência com a fauna silvestre. Medidas práticas como o reforço de cercas, uso de abrigos noturnos para animais domésticos, iluminação e eliminação de atrativos (como resto de alimentos e carcaças de animais) pode reduzir significativamente os casos de predação e encontros perigosos.
As aparições
De março de 2025 a outubro de 2026, ao menos 17 aparições foram registradas pelos moradores e relatadas aos especialistas, que acompanham de perto o cenário.
Em maio deste ano, após sucessivos ataques a cães, foi necessária a captura de uma onça-pintada que estava aparecendo na região com frequência. A espécie, uma fêmea de quatro anos de idade, foi levada para a Serra do Amolar, bastante distante da zona urbana.
Apesar disso, meses depois, novas aparições estão sendo registradas. Até o momento, não há informação sobre possível operação de captura. Além disso, medidas de prevenção ajudaram a evitar ataques a animais domésticos, como cachorros e galinhas.
Confira abaixo os dados levantados pelo Primeira Página:
Quando a onça aparece perto de casa
Uma linha do tempo reúne registros de avistamentos e ocorrências envolvendo onças-pintadas em áreas urbanas e no entorno de Corumbá, entre março de 2025 e outubro de 2026.
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21 out. • noiteOnça-pintada aparece na praça do Mirante da Capivara+
Avistamento urbano
As onças-pintadas
Maior felino do continente americano, as onças-pintadas são classificadas como quase ameaçadas de extinção. A espécie possui hábitos geralmente solitários, não mais ativas durante o período de transição do amanhecer e anoitecer, mas também possuem padrões diurnos.
Quanto à alimentação, é considerada topo de cadeia e oportunista, consumindo presas que estejam disponíveis ou vulneráveis no ambiente. A espécie se baseia numa relação que envolve o custo energético, riscos e benefícios obtidos, como mamíferos, aves e répteis.
Especialistas apontam que animais domésticos são predador como uma alternativa de subsistência em contextos nos quais a densidade e a biomassa das presas silvestres estão reduzidas.
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Fonte: Brasil MT







