Depois de ir embora do Brasil após ser derrotado nas eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu uma carta na qual nega que tenha fugido do país e se declara o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
A carta foi publicada nas redes sociais de Flávio, nesta quarta-feira (28). O senador começa o texto com a seguinte frase: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Depois, o senador afirma: “Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania.”
CARTA À NAÇÃO BRASILEIRA 🇧🇷
28.10.26 pic.twitter.com/TkWzSVjbp0— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 28, 2026
Flávio contesta o resultado do segundo turno. Ele foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu 64.256.232 votos válidos (51,79%), contra 59.826.041 de Flávio (48,21%). Sem apresentar provas, o senador diz na carta que viu “estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”.
“A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.”
Agradecimento a Trump e Milei
Flávio também agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao povo americano. Também elogia o presidente argentino, Javier Milei.
Antes de embarcar aos EUA, o senador, acompanhado pela mulher e as duas filhas, deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina. Flávio recebeu uma autorização excepcional e temporária, conhecida como parole, ao entrar nos Estados Unidos. Ele poderá permanecer no país assim por um ano.
O senador afirma na carta que decidiu sair do país em busca de segurança jurídica e para continuar sua atuação política. Ele nega que tenha fugido do país e declarou que pretende manter a mobilização de seus apoiadores no exterior.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois, calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.”
Liderança da oposição
Apesar de estar nos Estados Unidos, Flávio afirma que pretende continuar atuando politicamente no Brasil. Ele declara na carta que não abandonará os eleitores que o apoiaram e promete se tornar uma voz de oposição ao governo Lula.
“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.”
Fonte: Primeira Hora (Rondonópolis)







