Meses antes da prisão do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), o deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB) já havia levado à tribuna da Assembleia Legislativa (ALMT) questionamentos sobre possíveis irregularidades na atuação do conselheiro. O parlamentar chegou a sugerir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e, mais recentemente, acionou a Justiça contra decisões da presidência do Tribunal.
Em junho, Guarnieri criticou publicamente a postura de Sérgio Ricardo durante fiscalizações de obras públicas. O deputado questionou a exposição de gestores e empresas antes da conclusão de processos e apontou possível uso político da estrutura do Tribunal. Na ocasião, suas declarações provocaram reação do próprio presidente do TCE.
Ainda naquele mês, o parlamentar defendeu a abertura de uma CPI para investigar a destinação de R$ 20 milhões ao Tribunal de Contas. Guarnieri cobrou esclarecimentos sobre a origem e a aplicação dos recursos, além de questionar a possível utilização de fiscalizações para interesses políticos.
As cobranças não ficaram restritas à tribuna. No dia 20 de outubro, o deputado ajuizou uma ação popular contra decisões de Sérgio Ricardo que suspenderam sanções aplicadas à construtora MTSUL, integrante do consórcio responsável por um trecho da MT-170 que apresentou problemas na pavimentação.
Na ação, Guarnieri questiona procedimentos adotados pela presidência do TCE e alerta para possíveis impactos em outras obras, especialmente na MT-246, que liga Barra do Bugres ao Assentamento Antônio Conselheiro. A Justiça determinou ajustes na petição antes de analisar o pedido de liminar.
Nesta quinta-feira, Sérgio Ricardo foi preso preventivamente durante a Operação Tomada de Contas. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos administrativos, pagamentos a empresas e servidores, além de movimentações financeiras atípicas dentro do Tribunal.
A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e inclui seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão. As investigações federais são distintas dos questionamentos apresentados pelo deputado, e não há confirmação de ligação entre os casos.
Ao comentar a prisão, Chico Guarnieri reafirmou seu compromisso com a fiscalização dos recursos públicos.
“Fui criticado, questionaram minhas intenções, mas não me calei. Não estou aqui para comemorar a prisão de ninguém. Estou aqui para reafirmar que fiscalizar é meu dever. O dinheiro público pertence ao povo de Mato Grosso, e a população merece respostas”, declarou.
Fonte: Tangará em Foco







