O cacique Megaron Txucarramãe cobrou providências imediatas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outras autoridades brasileiras frente à escalada de violência contra os povos originários. A cobrança ocorre após uma série de ataques, ameaças e homicídios registrados contra comunidades no Mato Grosso do Sul.
Alerta contra a violência em MS
Em gravação veiculada pelo Instituto Raoni, Megaron exigiu proteção urgente para as populações Guarani e Kaiowá a fim de paralisar novos crimes. “Não pode acontecer mais esse conflito, essa matança. Não queremos conflito, não queremos matança”, afirmou.
Dados divergentes sobre as vítimas fatais indicam cenários alarmantes. Enquanto informações ligadas ao governo federal apontam ao menos três mortes sob suspeita de motivação política, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) contabiliza cinco assassinatos sob apuração no estado desde o final de outubro.
Ameaças e risco de expansão
Além dos homicídios, moradores locais relataram episódios graves como racismo explícito e o risco de contaminação de recursos hídricos por veneno após o pleito eleitoral.
Para a liderança indígena, a tensão na região corre o risco de transbordar para outros territórios nacionais. “Pode espalhar, pode espalhar para outro estado. Não queremos conflito, não queremos matança. Chega, chega. Queremos viver em paz”, declarou.
Conflito agrário histórico
O histórico de disputas territoriais no Mato Grosso do Sul intensifica a vulnerabilidade dos Guarani e Kaiowá, que frequentemente sofrem com atentados armados e intimidações a lideranças. O documento Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025, elaborado pelo Cimi, registrou dezenas de ocorrências letais e tentativas de homicídio no período.
Diante do cenário, o Instituto Raoni manifestou apoio irrestrito aos grupos afetados, cobrando rigor nas apurações, punição aos culpados e celeridade na regularização de territórios tradicionais. O apelo foi encerrado com um apelo direto por proteção estatal: “Queremos viver dentro das nossas terras em paz. Sem problema, sem conflito, sem invasão, sem ameaça. É isso que eu quero pedir para você, presidente Lula, e autoridades brasileiras.”
Fonte: Brasil MT







