–:–:–
Conecte-se conosco

Brasil lidera avanços na proteção da biodiversidade mundial

Conferência das Nações Unidas na Armênia resulta no documento Caminho de Yerevan após negociações intensas.

22 visualizações
Brasil contribui para avanços das ações de proteção da biodiversidade

A atuação estratégica do Brasil marcou o encerramento da 17ª Conferência das Partes da Nações Unidas (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada em Yerevan, na Armênia. A delegação nacional teve papel fundamental nas decisões voltadas para acelerar e ampliar o combate à crise da biodiversidade global, culminando na publicação do documento final chamado de Caminho de Yerevan após consenso alcançado na madrugada de sábado (31).

Correção de rumos na preservação global

A cúpula funcionou como uma resposta direta à primeira revisão do Marco Global de Kunming-Montreal (GBF), que apontou como insuficientes os esforços mundiais para cumprir as 23 metas do tratado até 2030. Karen Oliveira, diretora de Políticas Públicas e Relações Governamentais da The Nature Conservancy Brasil, avaliou o evento como uma oportunidade de ajuste estratégico, destacando avanços em monitoramento e financiamento, embora tenha ressaltado ressalvas importantes.

“Mas deixou parcialmente em aberto justamente os temas mais transformadores: volume de financiamento, funcionamento efetivo do Fundo Cali, reforma de subsídios, transformação dos setores produtivos e responsabilização por resultados.”

Novos rumos para o financiamento verde

Entre os progressos na área econômica, destacou-se a expansão voluntária da base de doadores. Países em desenvolvimento com alta capacidade financeira, como China, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, poderão agora contribuir para proteger a natureza em nações menos favorecidas. Além disso, houve acordo para revisar o Fundo Global para a Biodiversidade (GBFF) e o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), totalizando mais de US$ 1,8 bilhão anunciados por governos, iniciativa privada e filantropia durante o evento.

Desafios nos subsídios e impasses corporativos

Apesar das promessas, o Greenpeace Internacional apontou barreiras persistentes, como restrições fiscais e o endividamento estatal. An Lambrechts pontuou a necessidade de reformar incentivos financeiros prejudiciais, resultando na criação de um grupo de trabalho para redirecionar pelo menos US$ 500 bilhões de atividades nocivas para práticas ecológicas positivas.

O Fundo de Cali, criado em 2024 na COP16 para taxar o uso de recursos genéticos por farmacêuticas e cosméticos, enfrentou forte resistência de corporações para impedir sua operacionalização efetiva.

“É inaceitável que grandes empresas multinacionais obtenham lucros gigantescos a partir da exploração da natureza e, em contrapartida, contribuam muito pouco para a sua preservação, deixando populações ao redor do mundo à mercê dos impactos da crise da biodiversidade.”

O protagonismo brasileiro e a conectividade ecológica

A proposta do Brasil sobre o uso sustentável e a repartição justa de benefícios genéticos foi integrada à convenção, exigindo consultas prévias a povos indígenas e comunidades locais. A delegação também defendeu a conectividade ecológica por meio de corredores verdes e azuis, tema que continuará em debates futuros.

“Avançamos no reconhecimento da necessidade de fortalecer essa dimensão da convenção, com um processo específico para desenvolver opções que poderão subsidiar um futuro Programa de Trabalho”, destaca Michel Santos, gerente de políticas públicas do WWF-Brasil.

O encerramento da cúpula reforça a urgência de alinhar conservação e desenvolvimento socioeconômico. “Precisamos conservar a natureza, mas também criar condições para que seu uso sustentável gere benefícios sociais, econômicos e ambientais, respeitando os direitos e os conhecimentos dos povos e comunidades que historicamente contribuem para sua conservação”, conclui Michel Santos.

Fonte: Agencia Brasil Geral

Mais em Brasil

Ver tudo →