Nos últimos 30 dias, uma impressionante quantidade de andorinhas tem encantado os moradores do bairro Jardim Tropical, em Cuiabá, ao sobrevoar o local diariamente. Com voos coordenados, as aves criam uma verdadeira “nuvem” no céu, atraindo a atenção dos residentes, especialmente no final da tarde.
Um espetáculo natural diário
A cena é de tirar o fôlego: registros feitos por moradores revelam um céu repleto de andorinhas que se dirigem aos condomínios antes do anoitecer. Este fenômeno já se tornou comum entre os vizinhos, que observam as aves em busca de descanso e alimento.
A rota migratória das andorinhas
Este espetáculo não é apenas uma curiosidade; é parte da rota migratória anual das andorinhas, incluindo a andorinha-grande (Progne chalybea), que se deslocam do hemisfério norte em busca de climas mais amenos no sul da América do Sul. De acordo com o Dr. João Batista Pinho, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a migração envolve grandes grupos de aves. “Esses bandos chegam com facilidade a 20 mil, 30 mil indivíduos, ou até mais. É uma migração que acontece todos os anos”, destaca o especialista.
A influência das chuvas
A chegada das chuvas é um fator crucial que desencadeia esse fenômeno. Segundo o Dr. Pinho, a umidade gera uma explosão na população de insetos, especialmente os cupins alados, que se tornam uma fonte rica de alimento para as andorinhas. “Com a chegada das chuvas, temos um verdadeiro boom de insetos. Para as andorinhas, esses cupins são extremamente nutritivos e de rápida conversão energética”, explica.
Comportamento das aves migratórias
O professor também observa uma diferença significativa no comportamento alimentar entre as andorinhas migratórias e as aves nativas de Mato Grosso. Enquanto as espécies residentes utilizam essa abundância para iniciar seus ciclos reprodutivos, as andorinhas estão em trânsito, focadas em repor suas energias para continuar a jornada.
A permanência desses grupos na capital varia, podendo durar de alguns dias a semanas, dependendo da disponibilidade de alimento e das condições climáticas. Assim que se recuperarem, as andorinhas seguirão seu caminho em direção ao sul do Brasil, mantendo viva a tradição dessa migração anual.
Fonte: G1 Mato Grosso







