Secretário culpa chuvas e asfalto antigo por buracos que voltam a abrir em Campo Grande
André Moura Brandão ainda justificou a lentidão do serviço com a quebra do contrato com uma empresa alvo de investigação do MPMS
A Câmara Municipal de Campo Grande fez nesta terça-feira (27) sabatina com o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, sobre os problemas no tapa-buracos em Campo Grande. Ele apresentou dados da pasta e justificou que o excesso de chuvas e a quebra de contratos prejudicaram o serviço na capital.
Depois da primeira tentativa de sabatina, no dia 20 de outubro, ser interrompida devido a uma confusão na sessão, a segurança na Casa foi reforçada nesta manhã, com viaturas da Guarda Civil Metropolitana até no canteiro em frente à Câmara Municipal. Mas a sessão foi mais vazia e calma em relação à da semana passada, quando houve cancelamento por falta de segurança.
Ainda assim, moradores aproveitaram o momento para demonstrar a insatisfação com a situação do asfalto da cidade. A estudante Natalie Pereira de Oliveira levou um cartaz para manifestar a indignação com a quantidade de buracos espalhados por Campo Grande.
“Eu acho que a população de Campo Grande já está cansada com tantos buracos nessa cidade. Porque onde você vai, tem buraco, onde você vira, tem buraco. E, quando chove, a água é… tampa o buraco e você não vê. Automaticamente o pneu não aguenta. Só esse mês eu tive dois pneus estourados por causa dos buracos.”
Entidades representativas também acompanharam a sessão.
Antes da sabatina, o secretário apresentou dados sobre o serviço em Campo Grande.
Afirmou que o primeiro quadrimestre de 2026 teve o maior número de reparos em buracos na cidade em relação aos primeiros meses dos anos anteriores. No entanto, uma operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, em maio, forçou a quebra de contrato com uma empresa responsável por quatro frentes de trabalho.
Segundo o secretário, esse foi o motivo da queda na prestação dos serviços.
“Então essa empresa, naquela oportunidade, detinha sete contratos, quatro contratos de quatro regiões. Então, naquele momento, logo quando eu assumo, isso aconteceu no mês de maio, no mês de junho, quando eu assumi essa gestão. Então, dos sete contratos que nós tínhamos, eu me deparei com apenas três contratos vigentes. Destes três contratos vigentes, nós tínhamos em operação apenas duas frentes de trabalho.”
O secretário apontou que hoje são 12 contratos vigentes em parceria com o consórcio central, que também tem uma usina própria que faz a distribuição do Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), material necessário para o tapa-buracos.
Ele alegou também que os reparos estão sendo feitos primeiramente nas avenidas e vias arteriais. Mas a chuva tem atrapalhado o andamento do serviço.
“Então, no ano de 2024, com acumulado de janeiro a setembro de 2024, foram 471 mm; no ano de 2025, 691 mm; no ano de 2026, 1.279 mm até o mês de setembro. Então, isso é um dado relevante porque impacta diretamente, aí, no trabalho e na operação tapa-buracos.”
Todos os vereadores fizeram perguntas. Entre os pontos mais questionados estão os reparos pontuais, a necessidade de aprimoramento no tempo de resposta e a qualidade do asfalto, já que, quando um buraco é fechado, ele volta a abrir.
Em resposta, o secretário explicou que a maioria das ruas da cidade possui mais de 30 anos e que o problema não está no material do tapa-buracos, e sim na base estrutural.
“Sempre quando vem uma chuva com um volume alto de chuva, porque é uma via que tem um trânsito forte de veículos, e devido ao comprometimento da base estrutural, a gente sempre recai no problema dessa operação de tapa-buracos. Então, ele acaba sendo reincidente. O que é isso? É um buraco que cria? Não. É a base do asfalto que está comprometida. Então, com o excesso de chuvas, somado ali à infiltração da base, somado ao desgaste, ao fluxo alto de veículos, ele acaba reabrindo novamente.”
O secretário não quis firmar prazos específicos para normalização de ruas e avenidas de Campo Grande e alegou que isso depende das chuvas. Mas afirmou que já foram fechados 79.030 mil buracos nos últimos meses.
A sabatina com o secretário ocorre na mesma semana em que a Câmara deve definir os membros da CPI que investigará o serviço de tapa-buracos na capital. Segundo os vereadores, as informações apresentadas também vão servir para definir os rumos da investigação.
“Eu acho que a convocação e as explicações do secretário, de certa forma, já vai subsidiar os trabalhos iniciais da CPI. Ele vai trazer informações oficiais e, caso a CPI encontre informações diferentes, o secretário pode cair em contradição.”
Presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy
O pedido de abertura da CPI ainda está na procuradoria da Casa de Leis, que analisa do ponto de vista jurídico se o texto é constitucional. O resultado deve sair até sexta.
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Fonte: Brasil MT







