Há três anos, o ataque do Hamas resultou em um massacre devastador em Israel, com 1,2 mil mortos em um único dia. Este evento trágico, segundo especialistas, não apenas causou perdas irreparáveis, mas também deu início a uma sequência de crises humanitárias no Oriente Médio.
O impacto do ataque e as consequências
Além das fatalidades, a ofensiva resultou em 251 reféns, muitos dos quais não sobreviveram ao cativeiro. A situação gerou um conflito em larga escala que alterou a geopolítica e a dinâmica humanitária da região. Até o momento, cerca de 74 mil palestinos foram mortos em Gaza devido às represálias israelenses, e aproximadamente dois milhões de pessoas vivem em condições de grave risco humanitário, em um território reduzido a um terço de seu tamanho original.
A ascensão da extrema-direita em Israel
De acordo com o professor de relações internacionais Williams da Silva Gonçalves, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a reação militar de Israel fortaleceu a extrema-direita no país, comprometendo as chances de um Estado palestino.
“A reação de Israel ao ataque terrorista do Hamas arrastou Israel para o campo da extrema-direita. Investiu contra o Hamas e, a pretexto de investir contra os combatentes do Hamas, fez de Gaza terra arrasada. Porque não se trata de uma guerra, embora os israelenses falem em guerra, a gente só tem um exército.”
Isolamento de Netanyahu e apoio dos EUA
A resposta militar de Israel não apenas consolidou a ocupação da Palestina, mas também isolou Benjamin Netanyahu no cenário internacional, exceto pelo apoio que recebe de alguns aliados, como os Estados Unidos.
“A relação dos Estados Unidos com Israel é muito mais do que uma relação internacional, do que uma relação entre dois Estados. Eu ousaria dizer que Israel é como um Estado da federação norte-americana. Israel é uma questão de política doméstica. Tendo em vista a influência que os judeus exercem na sociedade norte-americana.”
Objetivos políticos de Israel
Roberto Menezes, professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, afirma que a resposta do governo israelense tem objetivos claros.
“Dois objetivos do governo de Netanyahu. O primeiro é tornar a Faixa de Gaza um lugar inabitável. E, com isso, ao tornar inabitável, tentar empurrá-los, exilá-los no Egito. O segundo ponto, e aí é claro, como consequência desse, é Israel tomar as terras dos palestinos à luz do dia.”
A utilização política de tragédias não é uma novidade, como demonstrado em outros contextos históricos.
“Assim como George Bush, após o 11 de setembro, guardadas as proporções. São governos, no caso de Netanyahu, um governo com baixa popularidade, e ele pega a tragédia e transforma num momento de união nacional. Uma parte importante israelense não embarcou nessa, mas o fato é que ele passou a trabalhar medidas de exceção, ele tentou ainda ir até amordaçar o equivalente à Suprema Corte de Israel.”
O terceiro aniversário dos ataques do Hamas coincide com a proximidade das eleições gerais em Israel, que são vistas como um referendo sobre a gestão de Benjamin Netanyahu. Este cenário levanta questões sobre o futuro da região e a possibilidade de mudança na política israelense.
Fonte: Mundo







