–:–:–
Conecte-se conosco

De barco desde a madrugada, indígenas enfrentam dificuldades para votar no Pantanal

4 visualizações
De barco desde a madrugada, indígenas enfrentam dificuldades para votar no Pantanal

De barco desde a madrugada, indígenas enfrentam dificuldades para votar no Pantanal

O cacique estima que a comunidade tenha cerca de 65 eleitores e mais de 30 ficaram sem votar

Moradores indígenas da aldeia Barra do São Lourenço, no Pantanal de Corumbá, enfrentaram uma longa viagem de barco para votar no segundo turno das Eleições 2026, neste domingo (25). As primeiras embarcações chegaram ao Porto Geral de Corumbá por volta das 12h35, depois de saírem da comunidade por volta das 5h. Apesar do esforço, pelo menos 34 eleitores não conseguiram deixar o território para participar da votação.

Os moradores saíram da aldeia por volta das cinco horas da manhã no Pantanal | (Foto: Brunna Barros)

Segundo o cacique Negré, quatro embarcações fizeram o trajeto, organizado com a ajuda de pessoas que se mobilizaram para viabilizar o transporte. Parte dos moradores viajou em barcos da própria aldeia, enquanto outros conseguiram carona com a Brigada do Instituto Homem Pantaneiro (IHP).

A viagem também teve imprevistos. Uma das embarcações furou durante o percurso e precisou passar por reparos, o que atrasou a chegada à cidade.

O cacique estima que a comunidade tenha cerca de 65 eleitores. Nove já estavam em Corumbá, à espera dos demais, e outros dez saíram da aldeia para votar. Mesmo com a mobilização, dezenas de pessoas permaneceram no território sem conseguir chegar às urnas.

“Dentro do território ficaram sem votar 34 eleitores”, afirmou Negré.

Falta de apoio e dificuldade de transporte

A organização do deslocamento foi um dos principais obstáculos enfrentados pelos moradores. A aldeia Barra do São Lourenço fica a cerca de 260 quilômetros da área urbana de Corumbá, e a distância torna a viagem dependente de embarcações, combustível e planejamento prévio.

De acordo com Negré, a comunidade buscou apoio para conseguir chegar à cidade. Ele afirma que recebeu contato do Exército com a informação de que haveria ajuda logística, mas que o suporte não se concretizou. Também relata que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) entrou em contato próximo à data da votação, com a proposta de enviar combustível à aldeia, mas não havia quem realizasse o transporte.

“O Exército entrou em contato comigo, falou que ia dar a logística, mas não deu. A Funai entrou em contato comigo, mas em cima da hora queria que mandasse combustível lá para a aldeia, mas como que ia mandar combustível e não tinha quem levava?”, questionou.

O cacique também relatou dificuldades para os moradores da região do Uberaba, outra comunidade pantaneira. Segundo ele, apenas quatro eleitores conseguiram embarcar, entre eles pessoas que precisavam viajar acompanhadas de familiares.

No primeiro turno, a comunidade havia se organizado com antecedência e conseguiu viabilizar a viagem. Para o segundo turno, porém, a falta de combustível e de uma estrutura de transporte dificultou a participação de mais moradores.

“É difícil”, resumiu o cacique.

Prefeitura diz que não ter estrutura

Em resposta a uma solicitação da Defensoria Pública da União, a Prefeitura de Corumbá informou que não dispõe de condições operacionais para garantir o deslocamento de eleitores indígenas das aldeias Uberaba e Barra do São Lourenço no segundo turno.

Em ofício encaminhado em 21 de outubro, o município afirmou que não possui embarcações ou veículos adequados, com capacidade, tripulação e condições de segurança necessárias para realizar o transporte de ida e volta. Também informou que não mantém serviço regular de deslocamento para essas comunidades.

A administração municipal defendeu uma articulação entre a Justiça Eleitoral, a Funai, órgãos federais e o Governo do Estado para buscar alternativas. Segundo a Prefeitura, é possível contribuir com informações e apoio administrativo, mas não há estrutura para assegurar o transporte dos eleitores.

Exército afirma que não recebeu pedido

Em resposta à reportagem, o Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal informou que não recebeu solicitação para realizar o transporte de eleitores. O órgão também afirmou que, conforme a legislação vigente, o Exército não está autorizado a transportar eleitores em viaturas ou embarcações militares e que não houve articulações nesse sentido.

A informação difere do relato do cacique Negré, que afirmou ter recebido contato de um representante do Exército sobre a possibilidade de apoio logístico.

“Nós queremos também ter esse direito de escolher”

Para o cacique Negré, a dificuldade de chegar às urnas não diminui a importância da participação política da comunidade. Ele defende que o planejamento do transporte seja feito com antecedência para garantir que todos os moradores interessados possam votar.

“Exercer a nossa cidadania para nós é muito importante, porque aí nós podemos escolher a pessoa que nós queremos para governar o nosso país, o nosso estado. Nós queremos também ter esse direito de escolher”, afirmou.

O cacique também cobrou uma organização antecipada da logística eleitoral para as comunidades mais distantes.

“Eu creio que deveria ter melhor essa organização para que todas as pessoas pudessem votar”, concluiu.

A Funai foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta matéria.

Mais lidas

  1. 1 Flávio Bolsonaro teve 66,06% dos votos em MT e Lula, 33,94%
  2. 2 Lula x Flávio Bolsonaro em MS: quem conquistou mais votos novos no 2º turno para presidente da República e resultado por município nas Eleições 2026
  3. 3 Eleitores votam SIM à mudança de território em 4 municípios de MT
  4. 4 Lula é reeleito presidente do Brasil e vai comandar o Brasil pela 4ª vez
  5. 5 Colniza pode perder área de assentamento com 91 famílias para Cotriguaçu

Fonte: Politica

Mais em Política

Ver tudo →