A cafeicultura indígena de Rondolândia alcançou um patamar histórico ao faturar cinco premiações de destaque durante o 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso. O evento festivo ocorreu no último sábado (31.10), no município de Juína, reunindo mais de 500 participantes e diversos expositores da agricultura familiar regional.
O avanço dos produtores indígenas
O grande destaque da competição ficou com os agricultores Miguel Suruí e Rafael Gameb Suruí, que obtiveram duas colocações de peso cada um. Miguel garantiu a primeira posição nas categorias Café Premiado e na cobiçada Excelência Suprema, que premia o melhor grão entre os finalistas. Já Rafael assegurou a segunda colocação em ambas as disputas representando a Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí (Coopaiter). “Essa conquista é resultado do nosso dia a dia, e podemos mostrar isso aqui”, afirmou.
Outro nome premiado da região foi Naraykoalab Suruí, que alcançou a terceira colocação na categoria Café Fermentado. A ascensão desses produtores é fruto de um forte trabalho de suporte técnico iniciado em 2020 pela Empaer-MT, que introduziu manejos sustentáveis, irrigação e adubação nas lavouras locais.
Contexto e expansão do setor cafeeiro
O cenário atual da agricultura mato-grossense conta com 29 municípios produtores de grãos e mais de 400 famílias dedicadas ao setor. A competição estadual começou em junho na cidade de Colniza, principal polo produtor regional, culminando na cerimônia de premiação em Juína.
O prefeito de Colniza, Milton Amorim, celebrou o engajamento e projetou as próximas edições do evento. “Agradecemos ao Governo do Estado, à Seaf, à Empaer, ao Sebrae e a todos os envolvidos. Quem não participou desta vez, que se organize para o próximo ano. Essa experiência abre portas para novas oportunidades”, afirmou.
O prefeito anfitrião, Paulo Veronese, resgatou a importância histórica da atividade para a economia local. “O café foi a base da economia de Juína por muito tempo e agora volta a ganhar força na região. É um orgulho receber esse concurso, que valoriza nossos produtores e mostra a qualidade do nosso café”, destacou.
Incentivo estadual e sustentabilidade
A realização do concurso é uma iniciativa da gestão estadual por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), junto ao Sebrae-MT e com suporte técnico da Empaer. A meta central é expandir o alcance do Robusta Amazônico e impulsionar a renda no campo. “Queremos valorizar o café de Mato Grosso, incentivar práticas sustentáveis, abrir novos mercados e garantir mais renda às famílias que vivem da produção no campo”, afirmou a secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka.
O impacto da assistência técnica especializada foi detalhado pelo extensionista Hayath Alves, que acompanha o grupo indígena. “Quando começamos, a produção era de 30 a 40 sacas por hectare. Hoje, temos produtor que ultrapassa 100 sacas por hectare, utilizando também produtos biológicos para reduzir o uso de químicos na lavoura. Fiquei muito feliz com a premiação e ainda mais motivado com esse resultado”, destacou Hayath. “Com atendimento de assistência técnica personalizada, estamos conseguindo melhorar a qualidade do café, ampliar a renda e fortalecer a produção nas comunidades indígenas”, completou o extensionista.
Fonte: Mato Grosso







