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Eleições nos EUA: Cidadãos votam para definir o Congresso

Plebiscito de meio de mandato testa a força de Trump e pode mudar o equilíbrio político em Washington.

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Eleitores dos Estados Unidos escolhem novo Congresso amanhã

O futuro político dos Estados Unidos é decidido nesta terça-feira (3) com a realização das chamadas eleições de “meio de mandato”. Cerca de 210 milhões de eleitores vão às urnas para renovar a totalidade dos 435 assentos da Câmara dos Deputados, além de 35 das 100 vagas do Senado e os governos de 36 dos 50 estados norte-americanos. O pleito serve como um termômetro para os dois anos finais da gestão de Donald Trump, período em que os republicanos defendem a maioria que atualmente detêm em ambas as Casas legislativas, embora sondagens apontem possibilidade de reviravolta na Câmara.

Cenários políticos e o impacto no legislativo Analistas consultados pela agência Reuters avaliam diferentes desdobramentos para o equilíbrio de forças em Washington. Caso os democratas assegurem o controle da Câmara com uma margem estreita — de até 20 cadeiras —, a legenda terá o poder de instaurar investigações e convocar audiências contra a administração Trump, embora encontre dificuldades para implementar grandes reformas estruturais. Nesse contexto, o debate sobre o teto da dívida pública tem potencial para causar instabilidade financeira e volatilidade entre investidores, forçando o presidente a governar majoritariamente por meio de decretos e ordens executivas.

Se a vantagem democrata na Câmara oscilar entre 21 e 40 assentos, iniciativas legislativas voltadas a limitar as prerrogativas presidenciais ganham fôlego, esbarrando ainda na resistência republicana no Senado e no poder de veto do Executivo. Conforme aponta o doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília, Robson Carvalho, a perda de controle total do Congresso trará reflexos diretos na diplomacia internacional.

“Essa política externa dos Estados Unidos para a América Latina, ela pode ser conduzida fortemente por decretos e ordens executivas? Em alguns casos, até sim, mas haverá um controle maior em relação a Donald Trump e as políticas que ele vem, que eles vem desenvolvendo. O impacto das pautas multilaterais, no caso do Brasil, como o comércio e o meio ambiente, elas também podem sofrer um freio”.

Por outro lado, uma vitória democrata em âmbito duplo — conquistando tanto a Câmara quanto o Senado — daria à oposição prerrogativas para paralisar indicações cruciais feitas pela Casa Branca, conforme detalha Robson.

“Porque hoje você encontra no país diversos protestos. O custo de vida nos Estados Unidos também tem aumentado. Então, são políticas que tem sido ruins não só para países como o Brasil, mas também para o próprio país de Donald Trump, né? E é justamente isso que tá nas urnas com essa tendência de refletir eh uma reversão nas duas casas, na Câmara e no Senado americano”.

Questionamentos e disputas judiciais pré-eleitorais Caso a oposição obtenha uma maioria expressiva no Senado, aumentam as probabilidades de aprovação de pautas fiscais, sociais e tarifárias alternativas. A Reuters pondera que, diante de um revés legislativo massivo, Trump poderia adotar o argumento de dividir a responsabilidade por impasses econômicos e inflacionários com os adversários políticos.

Nos dias antecedentes ao pleito, o presidente norte-americano voltou a levantar suspeitas infundadas sobre a lisura do processo. Ele declarou que aceitaria o desfecho do pleito “se forem eleições honestas”, contudo, deixou de apresentar provas que sustentem tal alegação.

No âmbito judicial e administrativo, episódios pontuais marcaram a votação. Na Califórnia, o Departamento de Justiça buscou invalidar cédulas enviadas pelo correio por aproximadamente 20 mil votantes apontados como estrangeiros sem cidadania. Paralelamente, no Alasca, autoridades intensificaram apurações sobre a suposta entrada estratégica de um candidato ao Senado com homonímia intencional para confundir o eleitorado. Historicamente, grupos políticos ligados a Trump acumulam mais de 60 processos judiciais derrotados desde a contestação do pleito presidencial de 2020.

Fonte: Mundo

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