Uma equipe com cerca de 10 profissionais mobilizou-se para resgatar uma onça-pintada chamada Ibaca em estado de extrema fraqueza às margens de um rio no Pantanal de Mato Grosso. O animal mal conseguia levantar a cabeça e olhar para a veterinária Luciana Guimarães Santana durante a operação noturna. Apesar dos esforços, o felino morreu na madrugada de sábado (31) após sofrer uma parada cardiorrespiratória, pesando apenas 35 quilos e apresentando desnutrição, desidratação e hipotermia severas.
Operação de resgate noturna no rio O resgate começou após um chamado da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) no final da tarde de sexta-feira. A localização ficava a aproximadamente uma hora de barco de Porto Jofre, exigindo deslocamento no escuro. Além da dificuldade de visibilidade, havia o risco de o animal cair na água após receber o dardo anestésico. Para evitar o pior, dois barcos foram posicionados próximos à margem como barreira de contenção.
Ao receber o sedativo, a reação da onça chamou a atenção da equipe pelo olhar marcante. “Ela simplesmente só levantou a cabeça, olhou muito fundo nos meus olhos, que dói no coração, na alma, relembrar isso na nossa mente. E ela estava tão fraca que voltou a cabeça e deitou novamente”, contou a veterinária.
Luta contra a hipotermia e agravamento Com o animal anestesiado, os profissionais constataram que a temperatura corporal estava abaixo do limite registrável pelo termômetro, que era de 32°C. Para aquecer o felino, foram utilizados cobertores, jaquetas da própria equipe e o calor das mãos. Pouco antes do fim do trajeto de van pela Rodovia Transpantaneira, o quadro piorou e a onça sofreu uma parada respiratória e cardíaca, sem responder às manobras de reanimação. “É onde eu vi que ela não voltaria. E aí declarei o óbito total de Ibaca”, afirmou a especialista.
Investigação sobre as causas da morte A necropsia e os exames laboratoriais deverão apontar o que provocou a deterioração da saúde do animal, com suspeitas que vão desde insuficiência renal crônica até possível intoxicação por mercúrio decorrente de garimpos. A gravidade indica que o problema se desenvolveu ao longo de meses. A fêmea, monitorada desde 2016 pelo Projeto Jaguar ID, havia acabado de se separar da filha mais nova, Jasy, que já tem idade para sobreviver sozinha. “Ela teve que se manter forte porque ela é mãe e estava com um filhote. Ela não podia cair doente. Mesmo sofrendo, se manteve firme e forte para ensinar a filha dela como sobreviver no Pantanal”, relatou a veterinária.
Legado e continuidade na natureza Apesar da perda, a trajetória da onça deixa descendentes e contribui para a preservação do bioma como uma espécie guarda-chuva. A expectativa é que os resultados da investigação ajudem a proteger outros animais da região. “Tem pedaços de Ibaca por aí para continuar a contar essa história”, concluiu a veterinária.
Fonte: Brasil MT







