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Servidora atropelada em Cáceres cobra investigação por omissão

Técnica judiciária sofreu fraturas no rosto após evento político e contesta versão do motorista na delegacia.

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Vídeo mostra servidora do Judiciário sendo atropelada durante comemoração pós eleição presidencial em Cáceres

A técnica judiciária Rosemar da Silva Santos, de 49 anos, formalizou uma representação criminal nesta terça-feira (3) em Cáceres, Mato Grosso, para cobrar o avanço nas investigações de seu atropelamento. O caso aconteceu no dia 25 de outubro, após ela participar de uma comemoração pela vitória de Lula. A vítima sofreu graves fraturas no rosto e ainda aguarda a redução do inchaço para saber se precisará passar por cirurgia corretiva.

Contestação e acusações contra o condutor

Durante o processo, a servidora rejeitou veementemente a justificativa apresentada pelo motorista Gilmar Aguilhera Prenzler, de 38 anos. À Polícia Civil, o condutor alegou que fugiu do local porque a vítima e seus acompanhantes supostamente apresentavam sinais de embriaguez. Rosemar negou a acusação e afirmou que estava apenas caminhando em direção ao seu veículo ao lado de uma amiga, após deixar a celebração política.

Para a vítima, a alegação de embriaguez serviu apenas como pretexto para acobertar a fuga. Ela também criticou o fato de o motorista alegar conhecê-la de círculos sociais e ter acompanhado o caso pela imprensa, mas sem nunca ter prestado auxílio ou se apresentado espontaneamente às autoridades.

“Por que não me procurou? Por que não se apresentou? Quando fiz o exame de corpo de delito, o perito disse que eu tive muita sorte de não ter batido a cabeça. […] Ele nem teve a capacidade de me ligar. Ou seja, arrependimento zero e ainda mentiu dizendo que foi me perguntar se precisava de ajuda”, afirmou.

Insatisfação com a condução policial

Além da cobrança por omissão de socorro, Rosemar demonstrou profunda frustração com a forma como a Polícia Civil registrou o caso inicialmente como lesão corporal culposa. Ela lamentou a ausência do crime de omissão no inquérito e criticou o tratamento recebido na delegacia.

“Saí muito chateada da delegacia. Me senti desrespeitada, como se fosse um ato insignificante, porque eles estão cientes de que ele não prestou socorro. Então, por que não colocaram ao menos a omissão?”, questionou.

Outro ponto de atrito na investigação envolveu a suspeita de motivação política. A defesa da vítima apontou publicações no perfil do motorista que demonstravam apoio político ao candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL), elementos que, segundo ela, teriam sido desconsiderados pela corporação, enquanto postagens da própria vítima integraram o processo.

“Vou fazer tudo que o direito me permitir fazer para que ele pague pelo que fez. Se a perícia determinar que não foi intencional, que ele pague por uma pena mais gravosa do que somente a lesão corporal culposa”, declarou a servidora.

Em nota oficial, a corporação informou que o boletim de ocorrência foi devidamente registrado e as providências cabíveis tomadas, ressaltando que depoimentos foram colhidos e que, até o momento, não há indícios de motivação política. A instituição também pontuou que a vítima pode acionar a Corregedoria caso identifique irregularidades na atuação policial.

Dinâmica do acidente na região central

O atropelamento ocorreu nas proximidades da Praça Barão do Rio Branco, na Rua 13 de Junho. Rosemar foi atingida pelas costas por um Onix branco alugado logo após o término da manifestação. Com o impacto violento, ela perdeu a consciência imediatamente e sofreu lesões severas.

Populares prestaram os primeiros socorros, encaminhando-a para uma Unidade de Pronto Atendimento antes da transferência para o Hospital Regional de Cáceres. Os exames de imagem confirmaram fraturas na parede anterior e posterior do seio maxilar esquerdo, além de fratura no assoalho da órbita esquerda. Atualmente em licença médica, a servidora pública permanece em reabilitação enquanto o inquérito policial segue em andamento.

Fonte: Politica

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