O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que, embora a dívida pública do Brasil continue em níveis elevados, sua proporção em relação a economias desenvolvidas é mais favorável. Durante uma entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, Durigan enfatizou que não há um padrão internacional que defina limites para o endividamento de um país, defendendo a análise da situação fiscal com base nas particularidades de cada economia.
Dívida sob controle, mas preocupação persiste
O ministro ressaltou que, apesar de a dívida bruta do Brasil estar entre 80% e 81% do Produto Interno Bruto (PIB), a comparação com nações como Estados Unidos e Japão, que apresentam índices superiores a 200%, é favorável. No entanto, ele fez questão de esclarecer que isso não significa que a situação fiscal do Brasil seja tranquila: “Não estou comparando para dizer que o nosso está bom, porque o nosso não está bom”, afirmou.
Desafios provocados pelos juros altos
Durigan identificou os juros como um dos principais fatores que pressionam a dívida pública. Ele explicou que, atualmente, o governo enfrenta dificuldades em conter o crescimento da dívida, que é agravado pelos altos custos de financiamento. “O que explica hoje o endividamento são os juros. A quantidade que pagamos de juros para rolar a dívida do país faz com que a gente aumente a nossa dívida pública”, destacou.
Construindo confiança na economia
Para o ministro, a redução dos custos da dívida está diretamente ligada à confiança dos investidores na economia brasileira. Ele acredita que demonstrar uma trajetória fiscal sustentável é essencial para atrair investimentos e permitir a diminuição do endividamento ao longo do tempo. “Mostrar que eu tenho uma trajetória sustentável no tempo dá tranquilidade para o investidor”, explicou.
Contexto internacional e sua influência
Durigan também abordou o impacto das incertezas globais sobre a economia brasileira. Em um cenário marcado por conflitos e tensões geopolíticas, ele enfatizou a importância de adotar medidas racionais que não comprometam as contas públicas. “Preparar o país para um cenário global mais instável exige consolidação fiscal e capacidade de investimento em áreas estratégicas”, afirmou.
Em sua análise, o ministro defendeu que o equilíbrio fiscal não deve ser apenas uma resposta às expectativas do mercado, mas sim um meio de garantir um crescimento sustentável que beneficie a população. O objetivo final, segundo Durigan, é transformar o Brasil em “um porto seguro para o mundo” em um ambiente internacional cada vez mais desafiador.
Fonte: Economia







