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Participação feminina na ALMT: novo marco após 64 anos

Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira são as novas representantes que se juntam à Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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Mulheres na ALMT: trajetória iniciada há quase sete décadas ganha novo capítulo

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) celebra um marco significativo na representação feminina, com a eleição de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos), que ocuparão duas das 24 cadeiras a partir de 2027. Essa conquista se insere em uma trajetória que começou em 1958, com a primeira deputada estadual, Oliva Enciso.

História da participação feminina na política Oliva Enciso fez história ao se tornar a primeira mulher eleita deputada estadual em Mato Grosso, um feito que ocorreu 26 anos após a conquista do voto feminino no Brasil. Professora e atuante na assistência social, ela foi vereadora em Campo Grande antes de ingressar na ALMT na 4ª Legislatura, período em que o estado ainda não havia sido dividido.

A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos destaca que a presença das mulheres na política do estado começou a ganhar força nas décadas de 1920 e 1930, impulsionada pelo movimento pelo sufrágio feminino. Em Mato Grosso, a educação, a imprensa e organizações femininas foram essenciais para aumentar a visibilidade das mulheres na esfera pública.

Desafios enfrentados pelas mulheres na política Apesar da conquista do direito ao voto, o acesso a cargos eletivos ainda foi uma luta longa. De acordo com Dejenana, a estrutura política de Mato Grosso foi historicamente dominada pelo coronelismo e por relações familiares patriarcais. Enquanto a política masculina era vista como algo natural, as mulheres tiveram que conquistar seu espaço através de educação e ações sociais.

A coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso, Madalena Rodrigues, também relaciona a baixa representação feminina às construções sociais historicamente enraizadas. “A política de Mato Grosso é uma política patriarcal, cercada pelos homens”, observa.

Caminhos diversos para a política A trajetória das mulheres na política mato-grossense se deu por diferentes caminhos, como observou Dejenana. Muitas candidaturas foram construídas com base em laços familiares, enquanto outras se fortaleceram por meio da educação e movimentos sociais. A ex-deputada Vera Araújo, conhecida como Verinha, exemplifica isso ao ter ingressado na política a partir de sua atuação na educação e no movimento sindical, sendo eleita vereadora e, posteriormente, deputada estadual.

Verinha relata que, ao entrar em um espaço predominantemente masculino, enfrentou constantes cobranças sobre sua capacidade. “Se você faz essa opção, essa decisão de disputar o poder, você tem que provar que você dá conta”, afirma. Ela expressa ainda a preocupação de que qualquer problema familiar poderia ser associado à sua atuação política, refletindo a dupla responsabilidade que as mulheres enfrentam.

Iniciativas e legislação Durante seu tempo na ALMT, Verinha se destacou em diversas áreas, como educação e saúde, promovendo leis que visavam melhorar a vida da população, como a legislação para o tempo de espera em filas de bancos e a meia-entrada para professores em eventos culturais.

Desafios na permanência na política A cientista política Christiany Fonseca ressalta que a maioria das candidaturas femininas ainda não se traduz em representação significativa. “É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, explica. A análise deve ir além do número de candidaturas, considerando o apoio político e as condições de competição.

Nas eleições de 2026, as mulheres representaram 34% das candidaturas em Mato Grosso, com Samantha e Alessandra sendo as únicas a conquistarem mandatos na próxima legislatura. Essa eleição marca um momento importante, pois é a primeira vez em 16 anos que duas mulheres são eleitas simultaneamente para a ALMT.

Um futuro promissor A chegada de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira à Assembleia Legislativa representa não apenas um novo capítulo na história da participação feminina na política, mas também a continuidade de um debate essencial sobre o acesso e a representatividade das mulheres em espaços de poder. Apesar dos desafios ainda presentes, a trajetória das mulheres na ALMT mostra um avanço significativo após quase sete décadas de luta e conquistas.

Fonte: Primeira Hora (Rondonópolis)

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