Estudantes da UFMT e UFR denunciam ameaças em grupo de WhatsApp: ‘não esquece o canivete’
Registros das ameaças foram encaminhados ao Ministério Público Estadual e Federal para investigação.
Integrantes do Coletivo Para Todos Mato Grosso denunciaram ao Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ameaças de violência armada e agressões físicas direcionadas a estudantes, professores e servidores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no campus de Cuiabá, e da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), por divergências políticas.
Na denúncia constam capturas de tela e registros extraídos de grupos de mensagens vinculados a partido político, nos quais membros teriam mencionado o uso de armas, canivetes e planos de confronto nas dependências da instituição.
A organização também acionou a Reitoria da UFMT, a prefeitura e a Gerência de Segurança do campus. O estudante de Ciências Sociais na UFMT e coordenador do Coletivo Para Todos Mato Grosso, Léo Jesus, explicou que os militantes, colegas e estudantes da UFMT e da UFR passaram a acompanhar grupos de WhatsApp vinculados ao PL Jovem para entender melhor o que estava sendo discutido nesses espaços e viram as ameaças.
“Embora já houvesse um certo conhecimento público de falas e posturas preocupantes, confesso que ficamos assustados com a gravidade do conteúdo que encontramos. Ao observar mensagens com violência, discurso de ódio e conteúdo ameaçador, ficamos muito preocupados, especialmente por envolver pessoas e instituições ligadas ao ambiente universitário. Diante disso, decidimos não nos omitir”, declarou ao Primeira Página.
O coordenador destacou que a equipe reuniu o extrato completo das conversas para permitir uma análise contextualizada pelas autoridades e enfatizou a impossibilidade de relevar tais atos.
“Consideramos fundamental que a apuração não se limite a mensagens isoladas, mas leve em conta o conjunto das conversas para distinguir o contexto e avaliar a gravidade do que foi dito. Não podemos tratar discursos de violência, de ódio e de assédio como se fossem piadas inofensivas. A violência não deixa de ser preocupante só porque alguém diz que era piada”, alertou.
Em nota de repúdio, o Coletivo Para Todos reafirmou o papel da universidade como um espaço de diálogo democrático e repudiou veementemente qualquer atitude intimidatória.
“A tentativa de substituir o diálogo e a disputa política pela coerção armada, pela intimidação e pelo terror é um ataque frontal à democracia e à segurança de estudantes, servidores docentes, técnicos e trabalhadores terceirizados. Não toleraremos que o medo dite os rumos da convivência universitária”, diz trecho da publicação.
Representantes do PL em Mato Grosso e organizadores do ato da juventude de direita também se manifestaram contra qualquer forma de violência ou ameaça. A organização defendeu a pluralidade de pensamentos e a convivência democrática, assegurando que o evento agendado para as 18h em frente ao restaurante universitário nesta quinta-feira (22) na UFMT seria mantido de forma totalmente pacífica e sem espaço para confrontos.
Integrantes do movimento alegaram que menções a objetos como canivetes e pedaços de madeira estavam relacionadas à logística, organização do espaço e remoção de adesivos, reconhecendo, contudo, que comentários inadequados feitos em tom de brincadeira não refletem o propósito do ato e não voltarão a ocorrer.
Procurados, a universidade e os órgãos de investigação confirmaram que receberam as denúncias para investigação.
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Fonte: Politica







