A possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) revisar a Lei da Dosimetria após as eleições traz uma nova perspectiva para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente enfrenta uma condenação de 27 anos e três meses de prisão por sua participação na trama golpista.
A Lei da Dosimetria e sua Implicação
A norma, aprovada em 2025, foi criada para permitir a redução de penas para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo a pena de Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar. A Lei da Dosimetria altera dispositivos da Lei de Execução Penal e do Código Penal, estabelecendo novos critérios para progressão de regime e remição de pena para crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Perspectivas para o Julgamento
Ministros do STF indicam que a dosimetria pode ser uma alternativa viável à revisão criminal, pois sua aplicação pode resultar na diminuição do tempo de pena, sem gerar um novo embate dentro da Corte. “A dosimetria é um caminho alternativo à revisão criminal”, afirmam os ministros consultados. Acredita-se que há uma maioria na Corte disposta a manter a dosimetria, o que tornaria mais difícil a anulação da condenação via revisão criminal, já que para isso seria necessário reverter o entendimento da Primeira Turma.
Desafios da Revisão Criminal
As revisões criminais, que permitem contestar condenações definitivas em casos excepcionais, enfrentam desafios significativos. Uma das ações pendentes de análise pelo plenário do STF ainda aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) e pode ser levada a julgamento somente após o segundo turno das eleições. O ministro Kassio Nunes Marques já expressou a necessidade de abordar essa questão, destacando que o tema deve ser enfrentado de forma direta.
Argumentos em Favor da Revisão
O novo pedido de revisão criminal, apresentado recentemente, se baseia em argumentos que identificam falhas na cadeia de custódia de provas e limitações na verificação de provas digitais utilizadas no processo. Além disso, menciona questões relacionadas ao caso Master, incluindo comentários do ministro Alexandre de Moraes sobre o conteúdo de um celular relevante para o caso. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já se manifestou contra a aceitação do primeiro pedido de revisão, considerando que não foram apresentados novos fatos que justifiquem a reavaliação da condenação.
A discussão sobre a Lei da Dosimetria e as revisões criminais se insere em um contexto mais amplo de debates sobre justiça e legalidade no Brasil, especialmente em um momento político tão delicado. A decisão do STF, que deve ocorrer após as eleições, pode ter repercussões significativas para o futuro do ex-presidente e para o entendimento jurídico sobre crimes contra a democracia.
Fonte: Primeira Hora (Rondonópolis)







