Lula e Flávio: o que a Meta revelou ao TSE sobre a eleição
Campanha de Lula questionou possíveis diferenças no funcionamento da inteligência artificial e no alcance de publicações. Meta negou favorecimento político e alegou falhas técnicas.
A inteligência artificial da Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, virou motivo de disputa entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da eleição presidencial de 2026. O motivo é uma diferença apontada no funcionamento da ferramenta: enquanto pedidos para criar imagens relacionadas a Flávio eram atendidos, comandos semelhantes envolvendo Lula enfrentavam restrições.
A situação levou a campanha do presidente a acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando possível tratamento desigual entre os candidatos. Nesta terça-feira (20), representantes da Meta participaram de uma reunião com as duas campanhas na Corte e negaram qualquer interferência no processo eleitoral ou favorecimento político. Segundo a empresa, os problemas relatados foram provocados por questões técnicas.
A discussão vai além da criação de imagens. A Justiça Eleitoral também cobra explicações sobre a distribuição de publicações, as recomendações feitas pelos algoritmos e o impulsionamento de anúncios políticos. O objetivo é garantir que as mesmas regras sejam aplicadas às duas candidaturas que disputam o segundo turno, marcado para domingo (25).
O que aconteceu com a inteligência artificial?
A polêmica começou após relatos de que a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial integrada às plataformas da empresa, permitia a criação de imagens de apoio a Flávio Bolsonaro, mas recusava solicitações semelhantes envolvendo Lula.
Entre os exemplos apresentados estavam pedidos para produzir bandeiras com o nome e o número eleitoral dos candidatos. Segundo os questionamentos encaminhados à Justiça Eleitoral, a ferramenta aceitava determinados comandos relacionados a Flávio, enquanto impunha restrições a conteúdos ligados ao presidente.
A campanha de Lula argumentou que a diferença poderia beneficiar o adversário na produção de materiais para as redes sociais. A denúncia também citou supostas restrições no alcance de publicações e dificuldades para impulsionar anúncios políticos.
O que a Meta respondeu?
Em manifestação encaminhada ao TSE, a Meta afirmou que os conteúdos relacionados às duas candidaturas recebem tratamento igualitário e que não existe qualquer orientação para favorecer um dos candidatos.
A empresa apresentou uma declaração técnica para explicar o funcionamento dos sistemas de recomendação e informou ter adotado medidas adicionais para impedir diferenças no funcionamento da Meta AI.
Entre as mudanças, estão restrições para que a inteligência artificial rejeite comandos de criação de imagens eleitorais relacionados aos dois candidatos, inclusive quando os pedidos utilizam apenas seus primeiros nomes.
A Meta também informou que passou a prever revisão humana, em até duas horas, de restrições ou suspensões aplicadas automaticamente a anúncios das campanhas oficiais.
Segundo a empresa, os problemas identificados decorreram de questões técnicas, e não de uma decisão para beneficiar ou prejudicar determinada candidatura.
O que o TSE determinou?
Diante dos questionamentos, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta apresentasse informações sobre as medidas adotadas para garantir condições iguais de divulgação de conteúdos políticos nas plataformas.
A decisão envolve mecanismos capazes de reduzir o alcance de publicações, retirar conteúdos das recomendações, restringir resultados de buscas e interferir na veiculação de anúncios eleitorais.
Na segunda-feira (19), o magistrado voltou a cobrar explicações da empresa e estabeleceu prazo de 24 horas para a apresentação das informações exigidas. A cobrança previa multa de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.
Durante a reunião desta terça-feira (20), Bellizze ouviu representantes da Meta e das duas campanhas sobre o cumprimento da decisão judicial.
“Transparência e igualdade entre os candidatos é o que se busca resguardar nesta representação”, afirmou o ministro.
Campanha de Flávio também apresentou reclamações
Os questionamentos à atuação das plataformas não partiram apenas da campanha de Lula. A candidatura de Flávio Bolsonaro também levou reclamações à Justiça Eleitoral, incluindo pedidos relacionados à circulação e ao impulsionamento de publicações negativas contra o candidato.
A disputa envolve principalmente o funcionamento dos algoritmos, sistemas que ajudam a determinar quais conteúdos aparecem para os usuários e como as publicações são recomendadas. A preocupação do TSE é evitar que diferenças na aplicação dessas regras provoquem tratamento desigual entre as candidaturas.
Na reunião realizada em 15 de outubro, o presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques, já havia discutido com representantes da Meta o funcionamento das ferramentas de inteligência artificial e as medidas para enfrentar a desinformação na reta final das eleições.
Afinal, a Meta favoreceu algum candidato?
Até o momento, não há conclusão judicial definitiva de que a Meta tenha favorecido deliberadamente Lula ou Flávio Bolsonaro.
O que está em discussão são diferenças relatadas no funcionamento das ferramentas de inteligência artificial, restrições na distribuição de conteúdos e a aplicação das regras de propaganda eleitoral.
A empresa nega interferência política e afirma que trabalha para corrigir eventuais problemas técnicos.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a Justiça Eleitoral mantém a cobrança por transparência e igualdade de critérios nas plataformas digitais, em um momento em que redes sociais e ferramentas de inteligência artificial fazem parte da comunicação das campanhas presidenciais.
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Fonte: Politica







