Chefe de facção criminosa presa na Bolívia chega em Cuiabá
O assassinato de quatro trabalhadores em Nova Monte Verde (MT) está entre os crimes que levaram a chefe de facção Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, a acumular condenações que somam 260 anos de prisão, segundo a Polícia Civil. Além de homicídios, ela já foi condenada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Recapturada durante um procedimento estético na Bolívia, em setembro deste ano, Angélica chegou a Cuiabá na última terça-feira (20). Ela foi transferida para o Presídio Feminino Ana Maria do Couto, de onde havia fugido em 17 de agosto de 2025, e ficará isolada das demais presas.
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Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Angélica possui registros criminais desde os 16 anos.
“Desde os 16 anos ela já teve os primeiros registros [criminais] e a partir daí ela foi escalonando na organização criminosa e foi adquirindo a confiança de outros membros”, explicou.
Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, chega a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Polícia Civil
Uma das condenações foi estabelecida em março de 2025, quando Angeliquinha recebeu pena de 99 anos e 11 meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato dos quatro trabalhadores, ocorrido em 2022. Ela também responde a outros inquéritos e processos criminais.
Conforme as investigações, Angélica exercia influência sobre atividades criminosas principalmente em Alta Floresta e região, no norte de Mato Grosso. A atuação incluía tráfico de drogas, extorsões e exploração de atividades ilegais em áreas de garimpo.
O nome dela também apareceu na investigação que levou à Operação Showdown, realizada pela Polícia Civil em março deste ano. A ação teve entre os alvos o pai, a filha e o genro de Angeliquinha, apontados como integrantes da estrutura de apoio às atividades da organização criminosa.
Segundo a apuração, os familiares teriam participado da movimentação de recursos de origem ilícita. Os investigadores identificaram a circulação de mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses, valor que, conforme a Polícia Civil, não era compatível com a renda declarada pelos envolvidos.
Empresas e outros negócios teriam sido usados para tentar dar aparência legal ao dinheiro. O grupo também é investigado por envolvimento com a exploração de garimpos irregulares nas regiões de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.
Prisão na Bolívia
Angeliquinha estava foragida desde agosto de 2025, quando se aproveitou de uma obra na penitenciária para fugir do local. Conforme o delegado, ela não agiu sozinha, no entanto, as investigações sobre a fuga seguem sob sigilo.
Com seis mandados de prisão em aberto, ela foi localizada em 22 de setembro deste ano, durante um procedimento estético em um polo de cirurgias plásticas de baixo custo na Bolívia e estava com ataduras no rosto no momento da captura.
Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, antes das cirurgias plásticas (à esq.) e durante o momento da prisão na Bolívia (ao centro e à dir.)
Reprodução
Após a prisão, ela ficou custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), antes de ser transferida para a capital mato-grossense.
No presídio de Cuiabá, ela ficará em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) por seis meses, com possibilidade de prorrogação. A medida foi adotada devido à periculosidade atribuída à detenta.
Segundo o delegado, o regime impõe restrições à rotina da presa, com períodos reduzidos de visitas e de banho de sol, além de maior vigilância por parte das policiais penais.
Fonte: G1 Mato Grosso







