A ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e outros diretores da instituição foram formalmente acusados de envolvimento em um esquema que desviou R$ 1,9 milhão do hospital, considerado o maior do estado de Mato Grosso do Sul.
Acusações e envolvidos no esquema
Além de Alir, também foram denunciados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) Jary de Carvalho e Castro (ex-vice-presidente), Rinaldo Hakme Romano (diretor administrativo-financeiro), Alessandro Dias Junqueira (diretor administrativo), Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa (diretor de finanças adjunto e conselheiro), Monique Gregório de Oliveira (supervisora do serviço de arquivo médico e estatística) e Maurício Aparecido Benites (empresário). Todos os diretores mencionados estão afastados cautelarmente devido à prisão preventiva.
Defesa de Alir Terra
O advogado Murilo Marques, responsável pela defesa de Alir, refutou as acusações, afirmando que sua cliente foi denunciada apenas por ter exercido a presidência da Santa Casa. “A Alir foi denunciada exclusivamente por ser Presidente da Santa Casa. Todos os atos praticados por ela foram em conjunto com a Diretoria, enquanto Presidente. Não há nenhum ato ilícito praticado por ela, tanto que ela sequer foi denunciada por corrupção”, disse o advogado.
Depoimentos e evidências
Durante um depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), realizado em 15 de setembro, Alir admitiu que a diretoria estava ciente de irregularidades no contrato com a empresa Redvalue, mas decidiu mantê-lo para evitar perdas financeiras. “Ficou decidido que ia continuar por unanimidade porque a gente ia perder o dinheiro”, afirmou.
O MPMS considera a declaração de Alir como um dos pontos centrais da acusação. A investigação revelou que ela foi avisada formalmente sobre a falta de comprovações de serviços prestados pela empresa, mesmo assim, a continuidade do contrato foi aprovada. O Conselho Fiscal havia recomendado a suspensão do acordo, mas a diretoria optou por ignorar essa recomendação.
Consequências do esquema
A acusação afirma que Alir Terra desempenhou um papel crucial na manutenção do contrato, que envolvia pagamentos sem a devida correspondência de serviços. O Ministério Público aponta que a ex-presidente tinha autoridade nas decisões contratuais e recebia informações sobre a fiscalização, mesmo depois de alertas sobre as irregularidades.
De acordo com as investigações, o total desviado chega a R$ 1.970.850, valor que se refere diretamente à denúncia formalizada e que não deve ser confundido com outras investigações da Operação Antidotum. Este caso destaca a necessidade de maior fiscalização e transparência na gestão de instituições de saúde pública.
Fonte: Brasil MT







