Nos últimos dois anos, a Argentina viu uma redução alarmante no número de novos aposentados, que caiu para menos da metade. De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social, foram quase 214 mil novas aposentadorias no primeiro semestre de 2024, mas esse número despencou para menos de 100 mil no mesmo período de 2025.
Alterações nas Políticas de Aposentadoria
Uma das principais mudanças implementadas pelo governo de Javier Milei foi a eliminação da “moratória previdenciária”. Este mecanismo, que permitia que trabalhadores com idade mínima para se aposentar, mas com menos de 30 anos de contribuição, se regularizassem até março de 2025, não está mais em vigor.
Revisão do Cálculo das Aposentadorias
Além do fim da moratória, houve também uma reformulação no cálculo das aposentadorias por meio de um decreto em 2024. Agora, os reajustes são limitados apenas à inflação, enquanto anteriormente eram considerados fatores como a variação salarial e a arrecadação previdenciária. O Centro de Economia Política apontou que o piso das aposentadorias perdeu um crescimento de 21% em relação aos valores de junho.
Cortes em Subsídios e Reajustes
Outra alteração significativa foi a redução do subsídio para a compra de medicamentos, que é gerido pelo Instituto Nacional de Serviços Sociais para Aposentados e Pensionistas. Desde o final de 2024, apenas aposentados com renda mensal de até 1,5 vezes o valor do benefício mínimo podem acessar esse programa.
O Congresso argentino tentou aprovar três projetos para aumentar os valores das aposentadorias, sendo um em 2024 e dois no ano anterior. Um dos projetos estabelecia a aposentadoria mínima em 109% do valor da cesta básica, mas todas as propostas foram vetadas por Javier Milei, que justificou sua decisão com a alegação de falta de recursos.
Recentemente, em outubro, o valor das aposentadorias foi ajustado em 1,66%, totalizando pouco mais de 500 mil pesos, equivalentes a aproximadamente R$ 1.662. A ONG Espaço Gerontovida, que defende os direitos da população idosa em Buenos Aires, afirma que, para atender às necessidades básicas, o valor da aposentadoria deveria ser, no mínimo, quatro vezes maior.
O cenário atual levanta preocupações sobre o futuro da previdência social na Argentina e o impacto das políticas do governo sobre os aposentados.
Fonte: Mundo







